Seleção de Éguas


O primeiro aspecto inserido na escolha de uma égua reprodutora é o genético. Primeiro, o criador precisa definir as bases genéticas de sua seleção. Em seguida, escolher as éguas matrizes que se encaixam neste pilar genético, dando preferencia aos pedigrees superiores. O pedigree superior é mensurado com base no mérito zootécnico dos ancestrais mais próximos, até a terceira geração ascendente, no máximo. De cada um dos pais, a égua recebe 50% da bagagem genética. De cada um dos avós, 25%. De cada um dos bisavós, 12,5%. Daí em diante, a contribuição genética perde em relevância. Qualquer ancestral de baixo valor zootécnico ( ex. animal com Registro em Livro Aberto, de origem desconhecida ), poderá comprometer o mérito de produção. Havendo necessidade, os parentes colaterais mais próximos, como irmãos inteiros e meio irmãos também podem ser avaliados.

O segundo aspecto é o da conformação. O criador deve saber interpretar corretamente todas as definições inseridas no respectivo Padrão Racial. Caso tenha dificuldade, recomenda-se procurar um consultor especialista da área. O moderno conceito de avaliar a conformação estabelece uma correlação com a função.

O terceiro parâmetro é a funcionalidade, quase sempre sub-estimado em éguas matrizes, porque estas são introduzidas ainda em idade jovem na reprodução. Em raças de andamento marchado a marcha deve merecer a mesma importância dada à conformação. A marcha é uma característica genética, tendo no diagrama e no estilo os parâmetros de herdabilidade mais alta. Portanto, o criador deve evitar escolher éguas de diagrama excessivamente diagonalizado ou lateralizado. Entre um e outro, a preferencia ainda será para o segundo, pois tem mecanismo genético recessivo, podendo ser erradicado do plantel com mais facilidade. Todavia, o melhor diagrama é o da marcha de centro, a marcha verdadeira, que apresenta a nítida dissociação visual nos deslocamentos. Sempre que possível, montar para aferir a qualidade da comodidade, o equilíbrio dinâmico, vigor e disposição.

O temperamento é qualidade das mais relevantes. Mesmo que a égua tenha genética superior, boa conformação e bom andamento, se a índole for ruim, já é uma forte contra-indicação à seleção.

O comprador deve pesquisar por completo o histórico reprodutivo e produtivo. Verificar se a égua já apresentou algum tipo de problema reprodutivo, quantos produtos já foram gerados. Como o primeiro parto geralmente acontece por volta dos 4 anos de idade, não será normal um numero inferior a 2 produtos em éguas de idade superior a 8 anos. São raras as éguas que parem anualmente. Considera-se normal que a égua tenha dois partos seguidos e um ano de descanso.

A idade da égua matriz é mais variável, mas há um limite. Após a faixa entre 15 a 18 anos de idade, dependendo do numero de crias já produzidas, a eficiência reprodutiva e produtivo da égua declina, principalmente devido ao desgaste sofrido pela parede uterina. Entretanto, ao contrário de um antigo tabu, a qualidade da cria independe da idade da mãe.

O histórico em competições deve ser detalhadamente pesquisado. As premiações relevantes são as de campeonatos e reservado campeonatos, dependendo do grau de competitividade.

Uma ficha de controle de valor zootécnico produtivo pode ser organizada, visando avaliar a qualidade da conformação e desempenho dos produtos gerados pela égua. Esta avaliação pode ser ao vivo, conhecendo alguns dos produtos, através de fotos e dados oficiais de premiações. Os campeonatos Progênie de Mãe representam aqueles de maior valor zootécnico.

Finalmente, o comprador precisa solicitar uma avaliação atual de fertilidade, mesmo que a égua tenha um bom histórico produtivo. Os problemas reprodutivos mais comuns são abordados em outra parte desta obra. Os mais comuns são os problemas de má conformação da vulva, que deve ter posição vertical, a fim de reduzir a introdução de ar e fezes na vagina; infecção uterina; casos de ruptura reto/vaginal; cervicite; vaginite; ovários inativos; tumores ovarianos; útero infantil; mal posicionamento do útero, devido ao relaxamento de ligamentos durante gestações anteriores.

De acordo com o resultado da avaliação, a égua será classificada como doadora de embriões ( mérito zootécnico superior ), égua matriz mediana, égua receptora, égua para reprodução e competições.


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